Verso e Reverso

Maio 30, 2008

Houston, we have a problem

Arquivado em: O mundo de Laila — laila @ 5:42 pm
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(terapia natural contra stress - foto via fluffy flippancies)

A coisa pro meu lado anda tão feia que nem se o dia tivesse 40 horas eu daria conta de tudo. Esse pode ser um estado normal pra muitas pessoas, mas não para mim. Eu escolhi ganhar menos e trabalhar mais em casa, pra poder fazer o que gosto e pra poder continuar estudando e fazendo pesquisa. Então, meu ritmo é outro.

Só que nas últimas semanas a coisa apertou legal. Estou inscrita em dois concursos e as provas foram marcadas para duas semanas subseqüentes. O resultado disso é que eu estou de um jeito que pareço um zumbi.

Hoje comecei a notar que meu estado de irritação aumentou muito, como se eu estivesse de TPM, só que em último grau. Com a diferença de que eu não fico surtando e dando piti. Eu como. Dá uma larica que é uma coisa de doido. Fiquei pensando nisso enquanto comia meu arroz integral com uns matinhos e balançava o pezinho embaixo da mesa. “Putamerda, o que tá me faltando é uma boa foda!” Sabe, daquelas de arrasar quarteirão e deixar a xota esfolada. É isso. Por isso essa ansiedade toda. A questão é: no momento ninguém pode resolver o meu problema. Minha menina está longe, bem longe. Eu não trepo com desconhecidos - talvez um dia a análise resolva isso. Meu parceiro de MSN - que a essa hora também deve estar estudando pra cacete - sumiu, e eu não tô com saco de ir atrás (até porque, MSN chega uma hora que me cansa profundamente). Mas nem tudo está perdido, afinal, quem é o melhor amigo de uma garota em apuros? Ele, Mr. Rosinha!

Além de ser macio e gostoso, meu vibrador nunca me abandona. E está sempre disposto. Daí pra achar um vídeo divertido foi um pulo. Esse aqui é tosquinho, tem aquele ar ‘caseiro’, as meninas nem são lá grande coisa, mas o fato é que eu gosto de tosquice às vezes. E elas parecem estar se divertindo muito, parecem estar gostando mesmo de estar ali se pegando. Bem, com as meninas me deixando toda molhada e o Mr. Rosinha em ação, eu gozei gos-to-sa-men-te. Duas vezes. Uma delícia. Daí eu pude voltar às minhas teorias complicadas. Feliz, contente e pisando nas nuvens. Hehe.

Maio 29, 2008

Meu blog é séquissi

Arquivado em: O mundo de Laila — laila @ 9:57 pm
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Gente, o Bob me deu um selinho!

Calma, calma, não é nada disso que vocês estão pensando. O selinho é esse aqui ó:

A brincadeira do selinho foi criada pelo povo do Fresh Babes (que, aliás, também é um blog super-tesudo) e agora eu tenho que indicar mais três. Então vamlá. And the Oscar goes to…

* É bom pra quem gosta

* Pequenos Delitos

* Pimenteiro

Oh, yeah, babe.

Maio 28, 2008

Pelado, pelado, nu com a mão no bolso (??)

Arquivado em: O mundo dos outros — laila @ 5:02 pm
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(Foto via Telegraph)

Já pensou em ganhar a vida como veio ao mundo? É, peladão/peladona, sem ter que se preocupar em gastar dinheiro com roupa pra ir ao escritório, nem com o dress code da empresa. Eu nunca tinha realmente parado pra pensar que tem gente que ganha o seu suado dinheirinho assim, com a bunda de fora, mas confesso que gostei da idéia. Até porque muitas vezes eu paro na frente do armário cheio de roupas e solto aquele: “Meu Deus, não tenho nada pra vestir!!!”. É um suplício.

Pensando nos profissionais peladões (ou peladões profissionais?), a Trip desse mês trouxe um artigo no qual quatro pessoas com diferentes ocupações descrevem como é o cotidiano de quem leva a vida sem ter que se preocupar com o guarda-roupa.

Tem a atriz do teatro Oficina - Vera Barreto Leite, mãe da neta mais famosa de Vinícius, Mariana de Moraes - , tem o cara que é modelo vivo, tem um outro que trabalha de jardineiro em comunidade naturista e, claro, a atriz de filme pornô. Em comum entre eles o fato de que todos parecem viver muito felizes com a sua nudez compulsória.

E nudez é uma coisa realmente interessante. Depois que você assume vê que é algo muito chinfrim para que ainda cause - a essa altura do campeonato - qualquer alarde. Eu sei que mesmo depois de todo movimento pela liberação sexual e do corpo ela ainda é tabu pra muita gente. Talvez não no sentido de ver alguém nu, mas de assumir a própria nudez com tranqüilidade (e eu estou falando de algo que vai muito além dessa nudez midiática que a gente vê tanto por aí). Bem, isso são só divagações e o post não é sobre isso. O fato é que eu gostaria de saber de outras pessoas que ganham a vida assim. Você conhece alguma?

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Agora, alguém me explica uma coisa: o que é aquele monte de cabelo na xereca da Vera Barreto Leite, hein? Ela botou um aplique ali?????

Maio 27, 2008

Reflexões vespertinas

Arquivado em: O mundo de Laila — laila @ 6:44 pm
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“Tudo bem que eu boto a bunda no blog, mas sair de casa sem rímel é algo ini-ma-gi-ná-vel! Não dá, não pode. Me sinto nua, pronto.”

(Eu mesma, direto de algum MSN da vida)

Eu vi a perfeição

Arquivado em: Delícias do mundo — laila @ 1:08 pm
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… e ela era assim:

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“Leitos perfeitos
Seus peitos direitos
Me olham assim”

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Ah, por favor. Rapte-me, camaleoa.

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Foto via olhares.com

Maio 26, 2008

Mais

Arquivado em: Delícias do mundo — laila @ 7:07 pm
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Boceta

(Arnaldo Antunes)

da entrada à entranha
dessa eterna
morada
da morte diária
molhada
de mim
desde dentro
o tempo
acaba

entre lábio e lábio
de mucosa rósea
que abro
e me abra
ça a cabe
ça o tronco
o membro
acaba o tempo

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Foto via olhares.com

A poesia que me inunda a veia

Arquivado em: Delícias do mundo — laila @ 6:10 pm
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Ontem, nesse post aqui, o PD fez alusão a beijar Adélia Prado, um de seus desejos domingueiros. Nunca cheguei efetivamente a beijá-la, mas cheguei bem perto, num desses eventos de literatura aí por esse Brasil afora. Adélia é mulher linda, que merece beijos e loas e mimos. Só essa menção do post foi o bastante pra remexer a minha memória. Tem gente que prefere prosa. Eu como sempre, respeito. Mas nada há como a palavra poética, aquela que fere rente, ali onde a razão nem chega a alcançar. Daí a minha seleção de segunda -feira. Para começar bem a semana.

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Objeto de amor

De tal ordem é e tão precioso
o que devo dizer-lhes
que não posso guardá-lo
sem a sensação de um roubo:
cu é lindo!
Fazei o que puderdes com esta dádiva.
Quanto a mim dou graças
pelo que agora sei
e, mais que perdôo, eu amo.

(Adélia Prado)

Mais difícil é falo

mais difícil é falo
que falá-lo

mais difícil é língua
do que lua

mais difícil é dado
do que dá-lo

mais difícil vestida
do que nua

mais fácil é o aço
do que achá-la

mais fácil é dizê-la
que contê-la

mais fácil é mordê-la
que comê-la

mais fácil é aberta
do que certa

nem difícil nem fácil

nem aó nem licor
nem dito nem contacto
nem memória de cor

só mordido só tido
só moldado só duro
só molhada de escuro
só louca de sentido

fácil de falá-lo
difícil de contê-lo
o melhor é calá-lo
o melhor é fodê-lo

(E. M. de Mello e Castro)

Elogio do pecado

Ela é uma mulher que goza
celestial sublime
isso a torna perigosa
e você não pode nada contra o crime
dela ser uma mulher que goza

você pode persegui-la, ameaçá-la
tachá-la, matá-la se quiser
retalhar seu corpo, deixá-lo exposto
pra servir de exemplo.
É inútil. Ela agora pode resistir
ao mais feroz dos tempos
à ira, ao pior julgamento
repara, ela renasce e brota
nova rosa

Atravessou a história
foi queimada viva, acusada
desceu ao fundo dos infernos
e já não teme nada
retorna inteira, maior, mais larga
absolutamente poderosa.

(Bruna Lombardi)

Sossegue coração

sossegue coração
ainda não é agora
a confusão prossegue
sonhos afora

calma calma
logo mais a gente goza
perto do osso
a carne é mais gostosa

(Paulo Leminski)

Maio 24, 2008

Agradecemos a preferência

Arquivado em: O mundo de Laila — laila @ 5:33 pm
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Ontem esse bloguinho mixuruca aqui bateu a marca de 304 visitantes.

E eu fiquei aqui sem entender nada. Seria o efeito ‘vestido vermelho’? Se for, viva o Trevisan. Sinal de que essa história de que brasileiro não lê e não gosta de literatura é tudo balela, estão vendo? Hehe.

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E ‘porque hoje é sábado’, deixo vocês com uma coisinha linda, uma gata na essência da palavra, a Paula. (Pena que a Trip erra a mão e escurece as fotos até não poder mais. Ódio.)

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Quem quiser *tentar* ver mais um pouco, tem a Paulinha aqui (vê se te manca da próxima vez, Trip)

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E bom final de semana pra todo mundo!

Maio 22, 2008

O mais bonito

Arquivado em: Delícias do mundo — laila @ 7:14 pm
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” -Minina, você conhece o Dalton Trevisan?

-Assim, só de ouvir falar. É aquele que chamam de ‘vampiro de Curitiba’, né? Por quê?

-Não, eu tava lendo um artigo numa revista e vi o nome dele e do Rubem Fonseca. Eu tenho uma amiga que é especialista em Rubem Fonseca.

-Ah, é? E daí?

-Daí nada. Eu achei legal, só isso. Falava do último livro dele, ‘Macho não ganha flor’.

-O título é legal.

-Aí eu fui lá e comprei. Nunca tinha lido nada dele. Fiquei curiosa.

-Também nunca li nada. É bom?

-Eu achei.

-São contos?

-É. Eu li tudo de uma vez só. Acho que o ritmo dos contos é assim. Não dá pra respirar. Você começa e tem que ir até o final do livro.

-Hum hum.

-Assim, uns eu gostei mais que outros. Tem uns mais engraçados. Outros mais sacanas. Tem um que eu gostei mais que todos.

-E o que tem nos contos?

-O que tem? Ué. Gente. Um monte de gente pobre. Bêbada, drogada. Putas. Tarados de todo tipo. Estupradores…

[-E você gostou???

-Mas por que não gostaria??? Num tem bandidão no livro, saca? É tudo bagrinho, tudo peixinho miúdo. Aqueles malandrinhos pobre-coitados que roubam pra comer. E o que o cara faz com essa gente, o jeito que ele escreve - isso que eu achei legal.

-Se você diz…

-Ah, tem um conto que você devia ler. É lindo. É lírico. É poético.

-Ah é?

-É. Fala de uma mulher. Ou melhor: tem uma mulher que fala.

-Fala de quê?

-De rejeição. Do homem dela que não come mais ela. É dolorido, é triste.

-Então acho que vou ler.

-Sabia. Ó aqui. Digitei pra você.

-Sério? Que legal. Brigada.

-É. Cê vai gostar. De todos eles é o mais bonito. Com certeza.”

O vestido vermelho

Dalton Trevisan

Amor,

Comprei um vestido novo. (Nada como quem trabalha!)

O tecido é tão fino, parece que estou sem roupa. O mesmo vermelho que, segundo você, realça o brancor da pele e o loiro do cabelo. Ombros nus até a saboneteira, com decote no limiar do abismo - além do qual você não aprova.

E onde está você para apreciá-lo, com teus mil beijinhos no pescoço? Eu aqui linda, só para te agradar. (Calcinha rósea rendada e sutiã de taça, o que por ora não precisa saber.)

E você, nada? Já não me quer?

Não te emocionam as coxas mais frescas e lisas que o vestido? Já não te apetece sopesar na concha da mão o seio de biquinho ereto assim a ponta fina de uma caneta Bic? Nem te comove a lua bochechuda da minha bundinha empinada? Nada te diz a concha nacarada de quatro pétalas?

Covarde! Ingrato! Soberbo!

Não sabe o que está perdendo.

Só me ver neste vestidinho faria você açular a fogosa matilha dos teus vícios mais perversos. E desmaiaria entre ais ao simples roçar do precioso tecido.

Já serpenteio o strip da Virgem Prometida ao Minotauro - e tudo mostro sem nada tirar. Requebrando no salto agulha, assim gostosa, frente e trás, se você pedisse.

Mas não pede. Me esqueceu para sempre? Pra você já não existo?

Ai, tua mão trêmula em cada curva, já pensou? Um sobe-e-desce de avanços e recuos. O terceiro quirodáctilo que negaceia… E a delícia única de ouvir: Ai, putinha, de você eu quero tudo! Você deixa, meu amor? Só pra mim, você deixa? Tudo?

Daí me ponho de joelho e descerro o teu zíper com mais devoção que uma samaritana descalça. Isso mesmo: sou uma putinha pra você se servir. Em adoração, eu beijo dardejo lambo. E a-bo-ca-nho com toda a gentileza.

É o meu quindim de Tia Ló! E lambisco e mordisco tamanha doçura que já me arrepia o lancinante céu da boca.

A cabecinha entre os lábios, ao ritmo frenético da língua enlouquecida. Afinal todo o ferrão de fogo e mel, uai, a tua cimitarra do profeta inteirinha na boca - e pode não querer?

Chupo, amor, na frente do espelho, se pedir. Levanto um canto do vestido para você ver as nalgas rosáceas. Ou baixo o decote para vislumbrar as duas tetinhas, também elas de joelho, suplicantes por uma carícia furtiva. Ou ainda nua e descabelada, prontinha às tuas ordens, no falo felação faço.

Será que o meu senhor já não gosta?

Nem sequer a xotinha mais te excita? Monto lépida o ginete empinado, a tua cabritinha selvagem dos montes. Toda me contorço e revoluteio dando e roubando beijo e palavrão amoroso.

Nunca mais, seu puto, me fará gozar?

Ordene, que eu obedeço. Ficar de pé no armário, portas e pernas abertas? Ou rendida me ajeitar de quatro? Me ofereço sem reserva às tuas massagens erógenas de eunuco na odalisca preferida do Sultão - e você, indiferente, nem pisca?

Quero sentir teus beijos pelo corpo me ungindo com o mais afrodisíaco dos óleos. Quero mordida doída na bundinha em flor. Do macho a gente espera fatal! O beijinho molhado e o tabefe ardido de mão aberta.

Mas onde está você, cego e surdo, que não responde?

Sem vontade de sodomizar esta cadelinha que te ama e tanto deseja? Eis-me aqui, à mercê dos teus caprichos e delírios.

E cadê você? Nem um pio.

Me lembrei que gostoso era você me abraçar pelas costas. O corpo bem juntinho ao meu. E, abrindo passagem na longa cabeleira, o beijinho na nuca. A pressa nenhuma. A mão no seio no seio no seio. De olho fechado para melhor sentir o amasso no corpo, o beijo na nuca.

E o beijo na boca. Choradinho. O toque da língua. A língua na língua, saboreando. A língua no dente. O dente no lábio. O gosto de sangue no beijo.

E lembro que você apreciava deslizar a mão viageira coluna abaixo. Uai, na bundinha. E ali ficar acima abaixo. Por cima da roupa, por baixo da roupa. Sobre a calcinha, debaixo dela. Ai, nem quero pensar. Era suor palpitação calafrio vertigem.

Às vezes guardava amoroso a dura duridana entre as bochechas: o seu santuário, a sua bainha sob medida. Um fogaréu de prazer. Todinha em chamas. Olha aqui - na branca pele a cicatriz perene do teu ferro em brasa.

E a flor selada se abrindo entre as coxas. Mar Vermelho, onde o cajado do meu puto Moisés?

Ah, como eu me lembro. E você, a memória perdida, sequer uma recordação?

Me faz cadela, seu viado, pelo amor de Deus!

Essa litania profana da vítima e cúmplice de tuas perversões - deixa de ser pidonha, menina! - não te alvoroça o apetite? Negue, se pode, que também me quer e bem se delicia? Quem não sabe que o meu amor é tarado por uma violação? Que só pensa em enfiar, meter, arrombar o meu corpo e currar a minha alminha.

Já rejeita o prêmio por tantos perseguido e por um só alcançado? E eu, aqui aos uivos, canina, o que fiz para não merecer o teu exército com bandeiras rompendo as minhas últimas defesas?

Venha, ó meu puto. Faça mais. Sim, faça tudo! Tudinho!

Morra de orgasmo múltiplo nos meus braços.

Diga que não é a suprema graça gozar no cuzinho. Todos os suspiros e gemidos e delírios. O coração aos gritos no meu cravo violáceo despetalado.

Tem coragem de afirmar que nessa hora já não levita entre os lençóis, sai rasante pela janela, flutua sobre os telhados da Praça Tiradentes?

Feliz de minzinha, engatada, lá vou eu - e lá vamos nós, xipófagos do amor, pisando as nuvens distraídos.

Nunca mais abraço cafuné mordida tapa amasso agarro beijo nó górdio de língua?

Deixa de ser bobo, homem!

Ao menos fala se gostou do vestido. (Sob ele, me quer de meia preta e liga roxa? Pronto! Já me antecipei ao seu desejo.)

Dá um beijo na boca, poxa!

Não está vendo este seio, esta coxa, este requebro de bunda? E uma bundinha de moça, o que é? Você me diz: A mais perfeita curva da esfera celeste!

Feita pra pegar. Pra passar a mão boba - ó delícia! ó suplício! Pra tatuar a tua sarça ardente!

Já não sou eu, euzinha, o bastante para a tua fome?

E esta rosa de febre com a boquinha úmida que geme e grita o teu nome - você já não escuta?

Que fim levou a tua paixão de amor louco? Em que velho sapato se esconde a aranha marrom do teu desejo?

Onde as chamas dessa luxúria que tudo incendiava à tua passagem? Que água apagou esse fogo? Que boi bebeu essa água? Que passarão colosso arrebatou esse boi?

Despida dos meus sete véus, rastejando, te ofereço na bandeja de Salomé o coração apunhalado da minha pombinha e a cabeça falante do meu amor.

Já não me quer você? Tudo bem.

Basta que eu te olhe. Nem chego perto. Do outro lado da cama.

No deslumbrante vestidinho novo. Comprei com o meu dinheiro contado. Só pra ficar linda aos teus olhos.

E sem você, ó puto dos meus pecados - coberta de púrpura ou nua em pêlo - , pra que ser linda?

Maldito vestido vermelho.


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pideite:

Aí lembrei de uma coisa nada-a-ver. Feministas torceriam o nariz pra esse texto, penso (ou não. sei lá.). Eu, no entanto, acho que isso é literatura, e da boa.

Maio 21, 2008

Gente ‘tipo’ chata

Arquivado em: O mundo dos outros — laila @ 5:50 pm
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Ando meio obcecada com o assunto, mas só consigo pensar em dois tipinhos:

1. Gente que faz ‘patrulha’ contra fumante. Bem, eu não fumo. Nunca fumei. Sou alérgica em último grau a várias coisas e já fiz uso durante anos de bombinha pra bronquite. Mas na minha casa amigo meu pode acender a chaminé e fumar o quanto quiser. Não me incomoda. Claro que eles têm bom senso e, em geral, procuram a janela. Mesmo em lugares públicos eu nunca faço cara feia, exceto em ônibus fechados. Me irrita profundamente aquele povo que dá chilique e faz ‘pregação’ contra fumo. Ah, dá vontade de dizer: ‘Vai te catar.’

2. Tipos que fazem da caixa de comentários alheias lugares para desenvolver ‘raciocínios’ brilhantes e contar histórias sem fim. Cara, ‘get a life’. Arruma um blog pra você. E tente não encher o saco, por favor. (não isso nunca aconteceu aqui, mas tenho visto muito em blogs que freqüento. Minha vontade é mandar tomanocu, mas deixo a tarefa pros donos da casa.)

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Esse é daqueles posts que não têm a menor importância. Foi só pra desabafar mesmo. Acho que ando precisando fazer muiiiiiiito sexo, hahahahahaha.

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