Verso e Reverso

Abril 29, 2008

Mais de Anaïs

Arquivado em: O mundo dos outros — laila @ 6:31 pm
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“Quanto mais eu experimento, maior o meu amor por você. Quanto mais nego a mim mesma, mais pobre eu seria para você, meu querido. Não há nenhuma tragédia, se você puder me acompanhar nessa equação. Existem equações que são mais óbvias. Uma delas seria: eu o amo e consequentemente renuncio ao mundo e à vida por você. Você teria uma freira prostrada diante de si, envenenada pelas requisitações que você não conseguiria satisfazer e que o matariam. Mas veja-me esta noite. Estamos voltando para casa juntos. Eu conheci o prazer. Mas não o excluo de minha vida. Venha penetrar em meu corpo dilatado e prová-lo. Eu carrego a vida. E você sabe disso. Você não pode me ver nua sem me desejar. Minha carne lhe parece inocente e inteiramente sua.”

Anaïs Nin, Henry e June

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Quanto mais leio esse livro, mais admiro a coragem dessa mulher e seu empenho em levar a cabo um processo dolorido de auto-conhecimento. Pena que o filme de Philip Kaufman não tenha conseguido chegar a reproduzir nem dez por cento da beleza do texto de Anaïs. É um filme que fica só na superfície. Que pena.

Abril 28, 2008

Música para obsessivos compulsivos

Arquivado em: O mundo de Laila — laila @ 9:32 pm
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(Nem vou contar a vocês que estou escutando - e cantando - essa música desde ontem sem parar. Umas quinze vezes talvez? É a típica música-chiclete.

Paixão faz dessas coisas com a gente. Sem contar que a Paulinha é a mulher mais tesuda de toda a galáxia… Não canso de olhar pra ela.)

Meu amor, com você me sinto imortal!

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Música: No seu lugar

Paula (gostosa) Toller e Kid Abelha

Toquem as trombetas!!!

Arquivado em: O mundo de Laila — laila @ 9:25 pm
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Depois de anos pagando um contador pra fazer o seu imposto de renda, eis que a Laila finalmente conseguiu fazê-lo sozinha!!! Yes, yes, yes!

(Pode parecer bobinho pra vocês, mas por mim eu comemoraria hoje fazendo sexo a noite inteira! É, eu mereço.)

Abril 27, 2008

Ser uma mulher

Arquivado em: O mundo de Laila — laila @ 1:35 pm
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Durante toda a minha vida, de uma maneira ou de outra, direta ou indiretamente, sempre me vi às voltas com essa pergunta. Afinal, o que é ser uma mulher?

Quando eu era bem mais jovem, achava que ser mulher tinha a ver com ser bela. E eu, que não me achava nada bonita, comecei a desejar isso mais que tudo. Olhava as meninas lindas que passavam e achava que tinha que pelo menos tentar ser como elas. Como se isso fosse algo possível. Minha mãe sempre desencorajou qualquer traço de vaidade nas filhas. Preocupação com o cabelo, com fazer unhas, roupa nova e sandália de salto? Pra quê? Mulher tem que ser inteligente, enfiar a cara nos livros e provar que é melhor que os machos de plantão. E lá foi a Laila se enterrar em montanhas de livros, enquanto esperava ser notada pela seu esforço intelectual. Depois disso, comecei a achar que para ser uma mulher de verdade eu precisava ser independente. Precisava me bancar. Aí homem nenhum iria tirar onda comigo. Cheguei até a pensar que pra ser uma mulher de verdade eu tinha que ser mãe. Mas não qualquer mãe e sim A mãe. Uma mãe que só precisaria do sêmen do macho para fecundá-la e olhe lá. Depois criaria o rebento sozinha, sim senhor. Era preciso marcar essa diferença de um modo bem enfático. Uma mulher seria, então, apenas e tão somente o ‘não-homem’. Mas seria mesmo?

Todas essas coisas eu fiz, mas elas não elucidaram muita coisa. Para me ajudar nessa tarefa difícil que era chegar à essência do que é ser mulher, comecei a prestar atenção no discurso das feministas, dos ativistas de direitos humanos, dos intelectuais, das mães solteiras, das mães casadas, dos jornalistas de plantão, qualquer um, por mais desencontrado que fosse. Então eu avaliava, pesava, ouvia, ponderava. E, depois disso tudo, ainda não tinha achado a resposta. No fundo, eu acreditava que em algum lugar, algum um dia, viria a entender o que faz de uma mulher uma mulher. Então, continuei me perguntando: por que, apesar de terem a mesma anatomia no meio das pernas, algumas mulheres pareciam carregar a chave para a minha questão muito mais do que as outras? Em que fenda se escondia o segredo?

Fiquei sem resposta por muito tempo e só fui capaz de entender tudo depois de conhecê-la. Ela, a menina dos olhos mais verdes e da boca em formato de rosa. E pensar que nós duas somos tão diferentes. Eu mais longa, de ossos maiores, menos peito; ela pequena, cheia de curvas sinuosas, um peito lindo de encher a mão, pezinhos de boneca. Eu poderia suspendê-la no ar, abraçá-la toda, envolvê-la e, ainda assim, seria ela a parecer sempre maior que eu, dominante e decidida. Minha dona. Talvez eu tenha encontrado a resposta no vácuo das nossas diferenças mesmo. É algo que escapa, mas que, ao mesmo tempo está lá. Não é objetivo, mas também não é imaterial. Está, por vezes, no jeito em que ela joga os cabelos, ou na maneira como me olha enquanto me faz carícias. Um olhar que definitivamente me marcou para sempre. E eu pedia a ela “Me olha, olha para mim”, enquanto experimentava o quase-êxtase, quando a língua macia escorregava em meu peito. Por vezes, eu achava que a síntese de tudo estava ali, na curva da cintura dela, no lugar onde o quadril começa, desenhando a bunda mais erótica que eu já toquei. Aquela curva, aquela cintura mereciam um feriado nacional, um monumento em praça pública. Ela fez amor comigo sem reservas e fez com que eu esquecesse para sempre o significado das palavras medo, vergonha e receio.

Descobri que ser amada por ela me reconciliou com a minha própria feminilidade. No olhar que ela me devolve eu me vejo, me encontro, me reinvento. Compreendi, finalmente, que não foi preciso teorizar para achar a resposta que eu tanto queria. Ela a entregou a mim graciosamente, da maneira mais doce e maravilhosa. Vou amá-la para sempre por isso, não importa o que aconteça. Estamos separadas agora por alguns quilômetros. Não sei quando voltarei a vê-la, talvez breve, talvez nem tanto. Enquanto isso nos falamos, nos escrevemos, nos inscrevemos na história uma da outra. Sei que estarei com ela, de alguma maneira, até o final da minha vida. Ela, que depois de tantos anos de buscas, me revelou o que é ser uma mulher.

Abril 24, 2008

Meninas malvadas

Arquivado em: Delícias do mundo — laila @ 7:06 pm
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Para aqueles que apreciam uma malvadinha, aquelas mulheres que sabem como pisar, fazer de gato e sapato, mas também dar muito prazer, tem duas indicações de blogs para vocês conferirem.

O primeiro é o Mulheres Malvadas, em edição bilíngue, que vem assinado por um tal Pedro Lozada. O Pedro é fera, gente, podem acreditar.

O outro é o Seu Prazer, onde você vai encontrar tudo sobre podolatria, gigantas (é, tem gente que curte, tá?), BDSM, tortura e otras cositas más. Tem para todos os gostos.

Então enquanto eu vou até ali defender algum e fazer a minha declaração, vocês fiquem aí se divertindo. Mas não se lambuzem muito, OK? Beijo!

Abril 16, 2008

Música para strip tease

Arquivado em: O mundo de Laila — laila @ 2:58 am
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É com essa música de fundo que eu vou fazer um showzinho pra minha gatinha. Na sexta-feira. Mas tem um detalhe: os ingressos já estão esgotados (porque ela já comprou todos!), hahahahaha.

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Música: “This Love”, Maroon 5 (a favorita do meu amor…)

Abril 15, 2008

Eu falo; ele: falo

Arquivado em: O mundo de Laila — laila @ 7:27 pm
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Ele sempre me pareceu um cara comedido nas palavras nas vezes em que ‘conversamos’ no Mensageiro. Quase lacônico, mas não de um laconismo desinteressado. Na verdade, ele podia falar duas palavras e elas estariam sempre muito bem colocadas.

Em nossas primeiras conversas falamos de livros. Temos em comum o interesse por um autor em especial. Nunca encontrei na blogosfera quem já tivesse lido tantos livros desse escritor. Entre idas e vindas, não nos vimos mais. Ele passou algum tempo ausente; às vezes deixava recadinhos que pulavam na tela assim que o Mensageiro se abria. Nossos horários nos mantinham afastados.

Então, na primeira vez em que nos reencontramos ele abriu a sua câmera. Me mostrou o escritório, os livros do tal autor - eu tinha todos, menos um - e um sorriso lindo. Ele tem cara de menino.

O menino, aparentemente, gosta muitíssimo da minha bunda. As palavras dele brotavam na caixa de mensagens com mais generosidade quando eu lhe mostrava fotos dela. Ele foi enfático ao afirmar que eu precisava - sim, eu precisava, urgente e inequivocamente - conferir o que a visão da minha bunda era capaz de provocar nele. Ou melhor, o que a visão da minha bunda era capaz de provocar em uma única parte de seu corpo.

Eu havia prometido mostrar a ele outras fotos da minha porção mais carnuda. Em troca, ele me faria a gentileza de revelar a suprema rigidez que aquela lhe causava. Nesse dia da câmera, achei apropriado cumprir a promessa. Estávamos ambos sozinhos, ele lá e eu cá. Nada poderia nos interromper ou estilhaçar aquele momento único. E assim foi.

“Caramba. Como você é gostosa.” O primeiro de seus comentários. Gostei. Direto ao ponto, sem rodeios, sem desperdícios. Ele me seduziu, me atiçou, me fez convites. Maldita distância que tudo atrapalha. Descreveu em detalhes o que faria comigo caso o acaso nos reunisse nus, no mesmo recinto. Em nenhum momento ele foi vulgar. Não que eu tenha preconceitos. Muitas vezes vulgaridade é o elemento que compõe a cena de maneira mais apropriada. Mas não era o caso ali.

Então chegou a hora de me devolver o que havia prometido. E ele cumpriu como ninguém. Levantou-se e me concedeu a visão linda de um falo ereto, rígido, elegante, pronto para o ataque. O pau mais convidativo de que tive notícia nos últimos tempos. Era bonito mesmo - não só pelo tamanho - assim como a bunda. Uma delícia carnuda e redondinha. Ele não se fez de rogado e se exibiu todo para mim.

Eu me remexia na cadeira, meu coração disparou, me senti lisonjeada. Fui para a cama naquela noite com a imagem daquele mastro a me acariciar e adormeci enternecida pela simplicidade da homenagem.

Precisamos repetir a brincadeira, menino.

Abril 14, 2008

Do amor

Arquivado em: O mundo dos outros — laila @ 5:08 pm
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“Afinal de contas, se existe alguma explicação do mistério é esta: o amor entre mulheres é um refúgio e uma fuga para a harmonia. No amor entre homem e mulher existe resistência e conflito. Duas mulheres não se julgam, não se violentam, nem encontram algo para ridicularizar. Elas se entregam ao sentimento, à compreensão mútua, ao romantismo. Tal amor é a morte, admito.”

Anaïs Nin, “Henry e June”

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Não sei se concordo com Anaïs. Provavelmente não. É por demais uma idealização romântica para que eu pudesse concordar. Porém, de qualquer modo, é uma bela maneira de se começar uma reflexão sobre o assunto.

Família, família…

Arquivado em: O mundo dos outros — laila @ 4:45 pm
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Ontem, numa reunião de família, ao me ouvir comentar o fato de que eu eventualmente uso banheiros masculinos em lugares públicos - como restaurantes - pelo fato que que os femininos, vira e mexe, estão ocupados, meu pai reagiu como se eu tivesse dito que me prostituía no calçadão de Copacabana. Foi o Apocalipse. Uma comoção. A mãe com cara de horrorizada. A cunhada não falou nada, mas fez aquela cara de “Como pode?”.

Aí, EU penso: como pode? Será que o meu planeta é muito distante daqui? Porque para mim isso realmente não é nada de mais. É a coisa mais banal do mundo.

Das duas uma: ou eu alego uma sociopatia qualquer e me privo desses contatos familiares. Ou viro monja.

(Estarei voltando à adolescência? Hahahahahaha)

Abril 12, 2008

A dona, o blog e a bunda da dona

Arquivado em: O mundo de Laila — laila @ 6:51 pm
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Alguns dos meus amigos - poucos, na verdade - que me conhecem pessoalmente, também têm acesso a esse blog. Penso eu que são pessoas queridas, que gostam de mim e que não teriam frescuras em ler as coisas que eu escrevo. Eles sabem que, no fundo, aqui está apenas uma parte de mim. Afinal, eu não sou a Laila. Ou melhor, a Laila é só uma parte da história. É algo que eu ainda não consigo explicar bem. Mas ela está aqui e eu me deixo levar por ela.

Aqui eu escrevo com o corpo. É uma escrita do sexo, sobre sexo. Uma escrita do desejo, se assim preferem. Esse blog é, como eu li em algum lugar outro dia, uma espécie de ‘troféu’ do meu narcisismo. Nesse contexto, nada mais natural do que expor coisas que eu normalmente não falaria em outros lugares. Em outros lugares isso tudo está bem domado. Mas aqui o grande barato é achar que não é necessário um freio. Só pensar, claro. Porque como todo mundo eu tenho consciência de que não estou sozinha nesse lugar. De que escrevo para uma pequena platéia; então essa idéia meio adolescente de uma escrita desenfreada, liberada de qualquer traço de repressão fica sendo só uma - entre tantas - ilusão-zinha de que lançamos mão para bem (sobre)viver.

Outro dia foi engraçado. Conversava eu com uma amiga no Mensageiro e ela do nada perguntou: “Como vai aquele teu blog depravado?”. Desatei a rir, claro (Depravada eu, amiga? Até parece. Eu ainda precisaria cursar alguns módulos, caso tivesse interesse no título). Sei que ela é meio pudica, mas tenta não me julgar. E o tom que ela usou - se eu pudesse ouvi-la - não teria sido certamente de reprovação. Ouvi aquilo como se estivesse ouvindo alguém mais velho ‘ralhar’ com uma criança que gosta de fazer travessuras. Uma menina levada, essa Laila. Mais engraçado ainda é o fato de essa amiga ser bem alguns anos mais nova que eu. E de eu já ter tido uma paixonite agudíssima por ela, que só sarou depois de alguns meses sofrendo feito poeta ultra-romântico, cantando as dores do amor.

Pode parecer estranho para quem me conhece ‘ao vivo’ que eu tenha prazer de expor fotos da minha intimidade. Mas eu tenho. E tenho mais prazer ainda em poder confessar isso. Dada a posição que eu ocupo no meio em que vivo, preciso, como todo mundo, manter uma certa imagem. E eu a cultivo com muito gosto. Tenho até uma certa timidez - e não penso em me desfazer dela. Ela é interessante, porque torna tudo menos óbvio. Embora certas pessoas digam ter horror aos tímidos, eu acho que eles fazem mesmo é um bom teatro. Nada de mais, já que todo mundo encena o seu teatrinho diário - mesmo aqueles que batem no peito a se dizerem ‘autênticos’. Ah! Que engraçados esses seres ‘autênticos’. Na verdade, cada um escolhe o papel que melhor lhe cabe e segue em frente.

Isso tudo só pra dizer que eu gosto das fotos da minha bunda que compõem esse post. Eu mesma as fiz, num lado mais escuro do quarto e depois tratei de dar alguns ‘efeitos’ a elas. Não que eu queira disfarçar nada. A minha bunda é como a da maioria das mulheres. Tem os defeitos mais comuns que assolam todas as bundas. Mas eu cuido bem dela, pois a aprecio de igual modo. Reconhecer virtudes e defeitos nela é o primeiro passo para amá-la. Cuido, passo creme anti-qualquer-coisa, exercito-a. Ela me dá prazer visual e de outros naipes também. É uma bunda que no momento atual - e ainda bem que assim é - sabe do que pode e do que não pode. Tem a noção - quase exata - dos efeitos que causa.

Uma bunda assim pode, um dia, quem sabe, vir a se tornar invencível.

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